Você soltou minhas mãos e esqueceu de dar tchau. Eu tinha tanta coisa pra dizer e você mudou assim de mim, evaporou em segundos, sumiu da minha vista. Agora a sua ausência me corta mais do que facas, ela rasga a minha alma e é impossível não soluçar de tristeza. Você era imperfeitamente compreensível, e eu gostava de te desvendar sobre essas pausas imprecisas quando o amor chia em complicação. Era tanta afinação que agora desafinou e quebrou a corda que estende o corpo para aprender essas coisas de gente.

O amor é um dever de casa que gente aprende sozinho. E agora eu só escuto os teus silêncios que não se hesitam em ir. Eles brincam, eles ousam tirar de mim o que eu tenho de mais bonito: o grito dos meus sentimentos. E é um grito tão bonito que não incomoda. Mas você não quis. Não quis ficar porque achou que não estava dentro. Você era o verso mais bonito de todos os versos mais bonitos existentes no mundo e o verso mais bonito que eu criava na folha de um papel qualquer. Você não se parecia com ninguém justamente para ser todo o mundo, e é disso que eu sinto mais saudades. É tanta saudade que eu me sinto um estranho olhando pro espelho que reflete esse amor rejeitado, não entendido. E a vida que era pra seguir, me cega. E a chuva que era pra vim, vem cinza em dias vãos.

Eu queria te amarrar de volta em mim, mas a saudade manchou esse amor original. Eu queria o teu abraço pra sentir o horizonte, mas a gente estar entre quatro milhões de paredes. Eu queria o teu coração fundo para senti-lo me amar sem fundamento. Eu queria continuar sonhando esse sonho de olhos abertos para me cobrir de realidade. Eu queria essa coragem que destrói até a saudade para tentar ser feliz contigo. Eu queria nos melhorar para não nos enganarmos. Eu queria o seu amor até vários pontos e encontrar esses pontos quentes e prontos até para mais uma partida de amor. Eu te queria tanto, que por respaudo da saudade, não tô me querendo nunca mais.