A dor do amor é sempre um sonho que se sonha caindo. Você acorda assustado, se senta na cama, clama pela a fome de respostas ou então vomita mesmo sem elas. Conheço de longe - e de perto também -, essa minha dor. É a dor de estar inflado demais para conseguir se saciar sozinho, é a dor de se sentir desproporcional ao meu próprio tamanho.
Não faz sentido pra mim e chega até ser bobo querer fazer por pensar demais. É sempre uma vontade de mastigar algo, mesmo com essa mão que sai do meu estômago para colocar tudo pra fora e estapear o meu mundo. Meu coração sempre cai em qualquer porcaria porque ele sempre acha que tudo é vitamina. Ele não sabe triturar para os pouquinhos passar porque ele é cheio de gana, ele é um coração esquizofrênico.
Daí quando a loucura acontece eu me pergunto velho de tanto saber: ''tudo de novo, meu Deus?'' Eu sempre pioro pro amor, eu sempre pioro por causa de você. E não dá pra curar porque você é o meu antes e o meu depois. Você tá à mil de mim, e eu te coloquei em meu cosmo e não consigo explodi-lo porque já não sei do nosso começo. Eu me fiz em desejos pra ti e é de lá de onde saímos.
Não dá pra deletar porque eu teria que ter feito isso bem antes, e isso se criou antes mesmo d'eu nascer para o amor. Eu nunca tô preparado para os disturbios do amor, e isso me complica demais. E é por isso que, mais uma vez de inúmeras vezes, eu estou te escrevendo do meu quarto escuro que não se clareia porque você não está aqui. A vida ultrapassando o meu quarto e esses pequenos momentos de vertigens em que eu encontro um pouco de amor, eles me congelam me dando uma falsa sensação de que pode ser bom pra sempre, assim, desse jeito mesmo. Poucas coisas estão sendo tão claras que eu tô morrendo e não tô conseguindo voltar à vida. Meu riso congelou-se, a alegria dispersou-se e eu odeio essa tristeza e essa saudade tão moderna e sempre nova que me esmaga na cama. Eu queria parar com essa vidinha tão pequena e ter um amor pra vida. Mais, mais e sempre mais. Queria valer à pena essa sombra que dá na alma, esse cinismo no amor. Mas volto pra dor; A dor nas costas de um sonho que pesa. A dor nos olhos de uma aceitação. A dor dos suspiros na madrugada. A tortura quando me sinto sempre na espera de você. A dor dos desejos que tocam como músicas e cai lá no cérebro se transformando em nauseas. A dor dessa grande desafinação da minha imaginação e esse amor escravo tão mal, tão prejudicial pra quem sente.
E é isso! Uma dor por cima de outras tantas que não acabam por estarem alcoolizadas em ti, cheias de saudades, dentro de uma caixinha reservada lá no pensamento para ser resolvida depois de tantas outras dificuldades. Porque ela é a dificuldade mais chata, mas também a mais bonita da pessoa mais bonita que eu já vi desarrumando uma outra pessoa. Colocando esse encatamento puro com um pouco de dor porque até na falta de dor tem muita dor. E na falta dele, não tem eu. Não tem o sol, não tem as formigas, não tem aquele corpo cheiroso grudado no pensamento e não tem aquele inferno que, olhando da forma mais irônica e da forma que dissipa, parece mais um pedaço do céu.