Abro a boca e as palavras se contraem e se contorcem. A tua saudade se apropria de mim, e a tua fala sempre bem dita grita na cabeça. Fecho os olhos para tentar esquecer, mas você penetra em mim poesias que gemem em cada gesto chato que sai de dentro pra fora. Minhas frases são aflitas e o meu medo tem cara de abandono. Essa saudade tem gosto de história esquecida, jogada no alto mar por alguém tão bonito e supervalorizado dentro do meu coração tão pequeno. O teu corpo, que era meu tutor, se tornou escorregadio dentro de um abraço, ele não enrosca mais em mim porque o que eu era já se foi. O silêncio se tornou carícias profundas e longas em todas às noites, e o lençol já não me cobre por inteiro por tá tão grande em dor.
Eu queria te mudar de mim violentamente mesmo sabendo que isso é um crime. Esse teu carma ainda me magoa e você não sabe porque você me magoou cuidadosamente. Agora eu sou descrente dessa vida que eu achava que era mágica, só porque você se foi. Isso se transformou em pesadelo; Um pesadelo revoltado, discordando de tudo, querendo ficar... E eu louco pra ir mas não consigo. Eu ainda durmo sem sono e acordo pedindo a cura para te destruir de mim, porque o que eu quero é manter essa plenitude nas coisas e nas caminhadas matinais que se transformou em chuva com nuvens cinzas em cima da minha cabeça. Eu ainda tento te matar em mim comendo uma pizza já esquecida e ouvindo James Vicent gritar agudo e em perfeita sintonia com o que eu sinto.
Minha vontade é de escrever mais outras cartas depois dessa e te detonar dentro de casa tomando o meu vinho que eu coloquei dentro do meu café-da-manhã. É tanta raiva, mas ainda é tanto amor. A minha pose espiritualista com um discurso saudável de que ''tudo isso vai passar'' deve tá dentro dessa minha casa, escondida não sei onde, desmoronada, arruinada. Eu levo em mim o peso por dois, estou dentro de uma casa de um sentimento só. Tô posando de apático por conta da saudade. Tô posando cheio de dor nesse campo de desconcentração. Há muito tempo eu sou essa tristeza intransitiva, essa ilusão mal curada e ironicamente essa porta que não fecha porque ainda espera, com um pouco de esperança, um copo cheio do teu amor. Eu tenho essa fé que ainda alimenta essa minha porção individual de vida sobre as coisas, de posse sobre alguém. Essa minha fé, apesar de ser um tumulo desconhecido, não importa o ensaio da recaída, é um pouco de reencontro almejado destruindo essa outra minha porção de saudade.