Não acabou porque ainda existe saudade. Não acabou porque o coração ainda grita em desespero de tanto sentir. Me esforço pra acabar, mas não acaba nunca. Você e o amor que eu sinto por você não acaba nunca mas me acaba muito. Me sinto sozinho e você parece fingir que não sabe; Você sempre fingi não saber de nada e isso é como um soco no estômago, como uma ressaca mau curada. Quando penso que não acabou - e realmente não acabou, porque ainda estou te escrevendo -, eu sinto que de alguma maneira você encosta em mim sem encostar em mim. É difícil de explicar porque eu deixo de ser gente, e tenho aquela vontade de chegar mais perto e uma outra vontade bem pequena de voltar para me proteger. Eu me esqueço, e eu sei que eu não posso me esquecer porque o fato de se esquecer não se propaga no ar, só se apaga. Não consigo fazer nada porque é insuportável ter que tentar fazer e no final não conseguir te ter. A madrugada ri de mim, e eu choro porque nada é tão claro quando você não aparece claro em meus caminhos. Isso me dói inteiro porque a dor se esconde e eu estou perdido dentro dela. É um fim sem ser um fim porque a força que saía de mim não tem mais força. Era uma força de fé em você, era uma fé de ter uma esperança perto de você. E é quase terrível ter que dormir agora para viver dentro daquilo que não se objetivou e só deixou saudade; Eu nunca te disse que sentia saudade porque não dizer era uma coisa sensual, mas já tá virando sacangem. Tá bagunçando as queixas, tá se transformando em ilusão, tá ficando brega e descontrolado que não tem meditação que cure. Tá sendo uma fase que não acaba, assim como o momento exato da palavra 'não acabou' no agora, nesse instante, em que a tristeza se faz verdade e só sobra aquele amor imaginário e algumas fantasias de alguns sorrisos quentes com gosto de tarde.
Você é tão inteligente dentro de mim e me escapa o que falar porque o que chega vem em grande efeito, e você nem imagina. E eu sou tão burro que te escrevo porque caiu todas as vezes de um voo razante quando me pego para saciar essa carência pesada, que não deixa opções porque enlouquece e sempre volta, que sempre fingi matar mas não mata, que tem uma beleza indefinida que me toca com prazer, que treme as pernas, que leva o coração até a língua para o que se é proibido sobre isso que eu fiz entre eu e você que, por pura teimosia, não me faz se despedir tão fácil de você assim.