Quando tudo parece acabar, pra onde o amor vai? De manhã eu preciso ir na casa de uma amiga e logo depois tenho academia. Pra onde o amor vai? Eu quero subir as tuas escadas, sair correndo pra ti. Essa pergunta me deixa ofegante: pra onde o amor vai? Eu tenho amigos, uma familía e um cachorro. Você tem uma mesa, um carro grande e um nome impactante. Pra onde o amor vai? Porque quando deitamos na areia eu me lembro da gente não ter falado quase nada, mas ter sentido muito e quase tudo. Teu silêncio era paz e se juntava com o meu. Porque quando você me mandou aquela mensagem dizendo que sentia saudades mesmo não me conhecendo direito, eu me perguntei: ''quanto tempo demora pra gente falar que ama?''. Pra onde o amor vai? O que você fez com o seu? Jogou no lixo ou deu descarga? O que eu vou fazer com o meu? Eu te mando uma resposta que você nunca me pediu deitado na minha cama, chorando horrores. Falo tudo e no fundo te pedindo desculpas: ''Eu sei que só faz uma semana que a gente se conhece, mas o que você fez com o nosso amor?''. Falei isso não querendo te assustar, mas quem acabou se assustando foi eu.
Porque você ficou frio, sumiu, esqueceu, deletou, matou, resolveu ir? Você me diz que só está cansado, do trabalho, da faculdade e eu me sinto um idiota. Me sinto puxado vivo para fora do mundo. Me sinto enganado. Me sinto falso por inteiro e respiro as mentiras. Crio disfarces. A gente tava se gostando sim, mas você resolveu correr pra levantar a bandeira branca do ''se fodeu, trouxa, nós nunca existimos juntos''. Tinha que vim logo de você? Eu tinha te escolhido pra fugir do mundo comigo. Eu tinha te escolhido porque você me emprestava suas mãos e a minha cabeça pedia colo quando eu não chegava em mim, por tá hipnotizado por você. Eu percebia como a gente era legal e eu tinha vontade de te perguntar isso. Mas pelos conflitos de nós, das coisas universais da vida e de toda bosta que ela traz, você foi pro lado do impossível e me deixou louco, escondido na cama, te perguntando pra onde se foi o amor? E você só parecia dizer com os olhos: ''estou fazendo minhas coisas''. Isso era tão normal pra você porque não te preocupava. Mas o seu normal não me serve, não me encaixava e não me acalmava.
Eu achava que a gente podia criar uma bolha só nossa para nos criarmos loucos, improváveis e protegidos desse lugar comum e mediano de gente que não sabem rir. Só que tudo ficou feio, até você que é lindo ficou feio. E eu quis me fazer cortes. Eu estava dolorido, podre. Onde está o amor? Onde ele foi parar? Onde ele não cresceu, e porque parou de nascer? Porque eu sigo fingindo de conta que é isso mesmo não sendo.
As pessoas seguem fazendo de conta que é isso, mas a pergunta ainda grita. O mundo inteiro agora está debaixo do seu queixo lindo e refinado, grudado em tua barba pequena e rala. Você não anda gritando em minhas janelas, batendo em minha porta, porque todas essas pessoas que te querem te acham um homem e você parece ser delas, não de mim.
E o amor, cara? Foi cancelado? É o amor que vai fazer você ser isso tudo. Porque quando eu sentei no banco ao teu lado e te disse algumas frases, você não achava que era alguma coisa porque você só enxergava amor em pequenos pontos míudos, quase inexistentes. O que você fez com esse pouco que muito poderia virar? Você não estava podendo pro amor. Você estava mais alto do que eu e do que ele. E eu roxo, quebrado, só queria ser ensinado para fazer o mesmo com o meu.
Eu vou mandar o meu coração junto com o seu. Eles vão pro inferno, pra longe, vão ser explodidos, vão pastar pro nada. Bela ilusão isso tudo. Bela merda eu e bela merda todas essas pessoas que conseguem sorrir e almoçar e ter um amor que eu não tenho. Agora eu só tenho esse buraco que eu não sei com quê ou com quem eu vou encher. Vou seguir sem nunca saber, sem entender e sem respostas.
Você e seus chocolates, você morando com a sua mãe, você sendo criança em um banho de mar, você baixinho me abraçando e eu sentindo milhares de coisas lindas, você falando sobre a vida com esse nariz empinado, você fazendo piadinhas sem fim e tirando sarro daquilo que eu não sei mas que eu gosto mesmo assim, você por uma semana e tanto amor. Todo o seu cheiro em todos os cantos. E agora eu louco por não poder sentir, porque eu senti sozinho, pareço não poder ter sentido em tão pouco tempo.
Que tempo é esse quando o amor se aparenta ser tão forte e sábio que todas as regras mudam? Quem quer pensar alto quando se está voando mais alto por um amor? Quem quer um socorro melhor do que o socorro que chega do outro? Agora nada, você nada, tudo e muito nada. O amor parece ter sumido dos papéis, ter virado apenas só mais um amor diante todos os outros que já nasceram e morreram. O amor da vida em uma semana. O medo de tentar ser, mas ser o único e todo e tanto amor em tão pouco tempo.
O que você fez com ele para eu tentar fazer igual? Eu quero entrar na fila que aparece na tua porta para tentar entender. Eu quero está nessa linha que chega a ti para tentar entender. Eu quero ser o mais louco de todos os loucos tentando entender para depois poder rir. Eu quero lutar pra entender e não me trancar nessa prisão pálida de não saber quem somos mais. Eu quero me buscar para saber quem eu sou e que, o que eu vou ser, não vai mais deixar de ser eu nunca mais. Eu quero cair entendendo.