É por essas horas da madrugada que sempre ameaça doer. Quando chega a ser intenso demais, eu começo a sentir que não consigo andar e volto sempre duas ou três casa para a mesma decepção. Meu corpo diz não, mas meu coração não nega e diz sim. Sua voz grita como fantasma em meus ouvidos e eu fico quente e pronto te procurando. Essa mentira que foi publicada em minha vida é a coisa mais pesada que eu não aguento levar. Vem em turbilhão, sai de mim em melancolia, jorra no final como saudade. Eu sinto mais saudade do que amor por você. E me dói por inteiro porque quando aperta a porta da minha alma, eu tento te capturar nas noites achando que você vai me tirar desse precipício de farsa, de estórias de poucas páginas. Mas você não aparece, você sumiu indo em direção ao nada e me deixou sem nada, sobre esse vazio e essa ferida que não cicatriza. Eu sou agora esse menino pequeno que não aguenta mais o pranto da vida só porque você não tá aqui do meu lado. E eu me angustio todo, me desespero por completo porque, para me acalmar, eu precisaria dessas possibilidades infinitas de ternuras que só o teu colo saberia dar. Mas tudo vem oco, e a tentativa de fugir para longe é irremediavelmente a vontade de querer ficar, só que ela maior, é profunda, ela sai do peito e voa pro mundo querendo chegar na tua porta. E se ela chegasse, ela entraria pela a tua fechadura, com todo cuidado, e falaria sobre essa saudade que sai pelos meus poros. É uma saudade que tem gosto. Um gosto de toque me chamando pra fugir. Um gosto de olhares fortes me olhando profundo e penetrando em mim iluminando essa esperança pra vida. Tem gosto que não se pode explicar, mas que daria pra repetir outra e outra vez. Tem um gosto de graça, outras vezes trazendo felicidade. Mas também, quando começa a se misturarem, traz um gosto de mistério, um gosto ruim na boca. E talvez, por causa de todos esses gostos, você tenha provado o do pior e tenha fugido para a toca mais próxima. Mas eu não queria isso sem que antes você pudesse provar do meu beijo cheios de verdades só para que eu tentasse te salvar desses vincos perigosos. Eu te queria fazer acreditar. Eu te queria onde eu estava te esperando, só para que você entrasse na minha mente sem engano. Eu te queria despencando em mim para que depois você não pudesse recuar, fugir, sumir de mim só porque algo lhe causou medo. Aqui não existe medo. Com você não era pra existir medo. Com você, na verdade, nada era pra existir, tudo era pra parar, só pra sentir no fundo esse espasmo de importância quando o amor brota, de algum lugar, algum tipo de entrega. Entrega de dois amores. Eu e você.