A paixão morreu antes de virar paixão. Eu, que contava com você, vi você partindo do meu coração deixando uma pocinha de lama para limpar. Entrei em desespero comigo mesmo porque depois de tanto regar e medicar tudo isso para não entrar em conflito com  o mundo, você foi embora deixando dores pessoais cheias de pronomes. E agora eu me pego deitado querendo meia-banda de remédio só pra não doer tanto, pra consegui levantar cheio de graça depois de um murro da decepção de uma paixão que nem firmou. Esse teu medo incondicional por qualquer pessoa que apareça na tua vida, ainda vai te deixar muito sozinho. Eu queria colorir o teu dia, queria encher as nossas promessas com charme. Porque eu sinto ansiedade por você e isso me deixa com urgências dosadas. Eu só queria mais um gole dessa existência boa que é de tá ao teu lado, comprovando essas nossas digitais sobre duas mãos coladas que querem correr juntas de todo um perigo. Aquele pensamento carimbado que me levava ao horizonte quando eu gostava de sentir o teu abraço, que abria mais um capítulo sobre nós.
Cai sempre algumas lágrimas quando eu penso que poderia ter dado certo. Caiem secas, outras vezes ninadas de carência, magrinhas, sem talento. A sua ida deixou alguma espécie de saudade que cresce de surpresa sem que eu perceba para poder arrancá-la. Me apunhala com força e cheia de fantasias, bordadas em um plano que me encontro cabisbaixo sobre uma história que me fez se lançar há algo que simplesmente nunca existiu, mas que eu faria questão que existisse. Porque eu queria caber na parte mais importante do amor junto com você. Queria aconchegar nossa loucura, excluindo os cortes e hematomas que se vulcaniza por conta de vários sofrimentos. Eu queria a gente com profundidade, escondidos sobre as metáforas da vida. Eu queria dar gosto ao cinismo, limpar toda essa merda regida por pessoas que passaram por nossas vidas sem conseguir encher nosso peito. Mas a paixão morreu antes de virar paixão, ela dobrou a esquina mais escura e a mais larga do mundo. E agora a vida segue estranha, sem respostas e sem intensidade nos sorrisos que dou. E nossos caminhos seguem agora paralelos sobre uma pele grossa e silenciosa que só me mata desse outro lado. Me mata porque é desenfreada de inconformismo, cheia de espasmos e vícios sobre o que eu sinto e não pude mostrar porque não te coube esperar, de tão egoísta, esse amor e esse espaço que eu fiz pra você se ocupar.