Hoje, mais do que nunca, eu me esparramei de saudade. Não consegui dormir porque eu me desfiz mil vezes em tristezas e o estrago era grande demais para uma mão tão pequena e tão vazia ocupar. A saudade cortou a cordinha da alegria e o meu medo se tornou eufórico embaixo dos meus pés. Meus olhos ficaram arregalados, murchos pra vida. Eu caí em mim. Me senti devorado pelos que conquistaram a alegria e que, por isso, me tiraram de fora do mundo. Minha delicadeza gritava no corredor e minhas lágrimas loucas de não aguentar mais se exibiram em meu rosto tão patético e sem forma. Eu estava em um tempo solitário, estava fora do eixo, e esse eixo me arranhava inteiro. Eu não conseguia me arrumar porque a dor da saudade me dispersava. Sobrava em mim um vazio e eu me sentia pequeno e ridículo porque constatava dentro de mim um desespero. Me pesava na garganta, engolia a seco o querer mas não ter. Parecia mil anos de sofrimento em tão poucos minutos. Tudo era angústia e de dentro dela saia uma vontade de gritar. Eu estava pesando em mim mesmo.
É tanta saudade. Muita. E ela só sumiria se você viesse novamente, mesmo que minha cabeça me explicasse e me estraçalhasse dizendo que você não viria mais. Onde está você que ainda procuro? A saudade bate mas as minhas mãos ainda querem passear de leve entre as tuas mãos. Eu não quero ter que viver de saudade porque viver só disso me faria perder os outros sentidos. Eu não quero ter que me forçar a dobrar a esquina do desencontro para perder o que eu estou sentindo, porque na vida o que me interresa é sentir o poder de amar alguém. É tanta saudade que eu só me arriscaria em cair agora se fosse dentro do teu bolso, onde você me protegeria e me levaria para sua casa a primeira vez de muitas. Tudo é tão escandaloso e gigante dentro de mim que eu queria expulsar essa saudade te vendo chegar e trazendo amor o tempo todo. Isso teria graça. Renderia esperanças. Consumiria minha alma. Esquentaria o meu corpo.
Muita gente é tão legal juntos, e isso me dá uma vontade de pegar você pra te construir legal perto de mim também. Você me ocuparia tão bem, esmagaria a saudade antes de virar saudade. Seria tanto você em todas as partes e até nas partes em que eu pensaria que você não pudesse estar. Seria uma história, um livro de estante que não acaba aqui porque eu não quero ponto final. Seria uma maneira de colar em mim o que eu ainda gosto em ti, não importando a distância dos nossos corpos que apesar de separarados ainda não deixam de ser, pra mim, tudo de muito bom e incrível que o tempo vai se esforçar para apagar com a força do vento e não vai conseguir.
É tanta saudade...
Quando tudo parece acabar, pra onde o amor vai? De manhã eu preciso ir na casa de uma amiga e logo depois tenho academia. Pra onde o amor vai? Eu quero subir as tuas escadas, sair correndo pra ti. Essa pergunta me deixa ofegante: pra onde o amor vai? Eu tenho amigos, uma familía e um cachorro. Você tem uma mesa, um carro grande e um nome impactante. Pra onde o amor vai? Porque quando deitamos na areia eu me lembro da gente não ter falado quase nada, mas ter sentido muito e quase tudo. Teu silêncio era paz e se juntava com o meu. Porque quando você me mandou aquela mensagem dizendo que sentia saudades mesmo não me conhecendo direito, eu me perguntei: ''quanto tempo demora pra gente falar que ama?''. Pra onde o amor vai? O que você fez com o seu? Jogou no lixo ou deu descarga? O que eu vou fazer com o meu? Eu te mando uma resposta que você nunca me pediu deitado na minha cama, chorando horrores. Falo tudo e no fundo te pedindo desculpas: ''Eu sei que só faz uma semana que a gente se conhece, mas o que você fez com o nosso amor?''. Falei isso não querendo te assustar, mas quem acabou se assustando foi eu.
Porque você ficou frio, sumiu, esqueceu, deletou, matou, resolveu ir? Você me diz que só está cansado, do trabalho, da faculdade e eu me sinto um idiota. Me sinto puxado vivo para fora do mundo. Me sinto enganado. Me sinto falso por inteiro e respiro as mentiras. Crio disfarces. A gente tava se gostando sim, mas você resolveu correr pra levantar a bandeira branca do ''se fodeu, trouxa, nós nunca existimos juntos''. Tinha que vim logo de você? Eu tinha te escolhido pra fugir do mundo comigo. Eu tinha te escolhido porque você me emprestava suas mãos e a minha cabeça pedia colo quando eu não chegava em mim, por tá hipnotizado por você. Eu percebia como a gente era legal e eu tinha vontade de te perguntar isso. Mas pelos conflitos de nós, das coisas universais da vida e de toda bosta que ela traz, você foi pro lado do impossível e me deixou louco, escondido na cama, te perguntando pra onde se foi o amor? E você só parecia dizer com os olhos: ''estou fazendo minhas coisas''. Isso era tão normal pra você porque não te preocupava. Mas o seu normal não me serve, não me encaixava e não me acalmava.
Eu achava que a gente podia criar uma bolha só nossa para nos criarmos loucos, improváveis e protegidos desse lugar comum e mediano de gente que não sabem rir. Só que tudo ficou feio, até você que é lindo ficou feio. E eu quis me fazer cortes. Eu estava dolorido, podre. Onde está o amor? Onde ele foi parar? Onde ele não cresceu, e porque parou de nascer? Porque eu sigo fingindo de conta que é isso mesmo não sendo.
As pessoas seguem fazendo de conta que é isso, mas a pergunta ainda grita. O mundo inteiro agora está debaixo do seu queixo lindo e refinado, grudado em tua barba pequena e rala. Você não anda gritando em minhas janelas, batendo em minha porta, porque todas essas pessoas que te querem te acham um homem e você parece ser delas, não de mim.
E o amor, cara? Foi cancelado? É o amor que vai fazer você ser isso tudo. Porque quando eu sentei no banco ao teu lado e te disse algumas frases, você não achava que era alguma coisa porque você só enxergava amor em pequenos pontos míudos, quase inexistentes. O que você fez com esse pouco que muito poderia virar? Você não estava podendo pro amor. Você estava mais alto do que eu e do que ele. E eu roxo, quebrado, só queria ser ensinado para fazer o mesmo com o meu.
Eu vou mandar o meu coração junto com o seu. Eles vão pro inferno, pra longe, vão ser explodidos, vão pastar pro nada. Bela ilusão isso tudo. Bela merda eu e bela merda todas essas pessoas que conseguem sorrir e almoçar e ter um amor que eu não tenho. Agora eu só tenho esse buraco que eu não sei com quê ou com quem eu vou encher. Vou seguir sem nunca saber, sem entender e sem respostas.
Você e seus chocolates, você morando com a sua mãe, você sendo criança em um banho de mar, você baixinho me abraçando e eu sentindo milhares de coisas lindas, você falando sobre a vida com esse nariz empinado, você fazendo piadinhas sem fim e tirando sarro daquilo que eu não sei mas que eu gosto mesmo assim, você por uma semana e tanto amor. Todo o seu cheiro em todos os cantos. E agora eu louco por não poder sentir, porque eu senti sozinho, pareço não poder ter sentido em tão pouco tempo.
Que tempo é esse quando o amor se aparenta ser tão forte e sábio que todas as regras mudam? Quem quer pensar alto quando se está voando mais alto por um amor? Quem quer um socorro melhor do que o socorro que chega do outro? Agora nada, você nada, tudo e muito nada. O amor parece ter sumido dos papéis, ter virado apenas só mais um amor diante todos os outros que já nasceram e morreram. O amor da vida em uma semana. O medo de tentar ser, mas ser o único e todo e tanto amor em tão pouco tempo.
O que você fez com ele para eu tentar fazer igual? Eu quero entrar na fila que aparece na tua porta para tentar entender. Eu quero está nessa linha que chega a ti para tentar entender. Eu quero ser o mais louco de todos os loucos tentando entender para depois poder rir. Eu quero lutar pra entender e não me trancar nessa prisão pálida de não saber quem somos mais. Eu quero me buscar para saber quem eu sou e que, o que eu vou ser, não vai mais deixar de ser eu nunca mais. Eu quero cair entendendo.
Porque você ficou frio, sumiu, esqueceu, deletou, matou, resolveu ir? Você me diz que só está cansado, do trabalho, da faculdade e eu me sinto um idiota. Me sinto puxado vivo para fora do mundo. Me sinto enganado. Me sinto falso por inteiro e respiro as mentiras. Crio disfarces. A gente tava se gostando sim, mas você resolveu correr pra levantar a bandeira branca do ''se fodeu, trouxa, nós nunca existimos juntos''. Tinha que vim logo de você? Eu tinha te escolhido pra fugir do mundo comigo. Eu tinha te escolhido porque você me emprestava suas mãos e a minha cabeça pedia colo quando eu não chegava em mim, por tá hipnotizado por você. Eu percebia como a gente era legal e eu tinha vontade de te perguntar isso. Mas pelos conflitos de nós, das coisas universais da vida e de toda bosta que ela traz, você foi pro lado do impossível e me deixou louco, escondido na cama, te perguntando pra onde se foi o amor? E você só parecia dizer com os olhos: ''estou fazendo minhas coisas''. Isso era tão normal pra você porque não te preocupava. Mas o seu normal não me serve, não me encaixava e não me acalmava.
Eu achava que a gente podia criar uma bolha só nossa para nos criarmos loucos, improváveis e protegidos desse lugar comum e mediano de gente que não sabem rir. Só que tudo ficou feio, até você que é lindo ficou feio. E eu quis me fazer cortes. Eu estava dolorido, podre. Onde está o amor? Onde ele foi parar? Onde ele não cresceu, e porque parou de nascer? Porque eu sigo fingindo de conta que é isso mesmo não sendo.
As pessoas seguem fazendo de conta que é isso, mas a pergunta ainda grita. O mundo inteiro agora está debaixo do seu queixo lindo e refinado, grudado em tua barba pequena e rala. Você não anda gritando em minhas janelas, batendo em minha porta, porque todas essas pessoas que te querem te acham um homem e você parece ser delas, não de mim.
E o amor, cara? Foi cancelado? É o amor que vai fazer você ser isso tudo. Porque quando eu sentei no banco ao teu lado e te disse algumas frases, você não achava que era alguma coisa porque você só enxergava amor em pequenos pontos míudos, quase inexistentes. O que você fez com esse pouco que muito poderia virar? Você não estava podendo pro amor. Você estava mais alto do que eu e do que ele. E eu roxo, quebrado, só queria ser ensinado para fazer o mesmo com o meu.
Eu vou mandar o meu coração junto com o seu. Eles vão pro inferno, pra longe, vão ser explodidos, vão pastar pro nada. Bela ilusão isso tudo. Bela merda eu e bela merda todas essas pessoas que conseguem sorrir e almoçar e ter um amor que eu não tenho. Agora eu só tenho esse buraco que eu não sei com quê ou com quem eu vou encher. Vou seguir sem nunca saber, sem entender e sem respostas.
Você e seus chocolates, você morando com a sua mãe, você sendo criança em um banho de mar, você baixinho me abraçando e eu sentindo milhares de coisas lindas, você falando sobre a vida com esse nariz empinado, você fazendo piadinhas sem fim e tirando sarro daquilo que eu não sei mas que eu gosto mesmo assim, você por uma semana e tanto amor. Todo o seu cheiro em todos os cantos. E agora eu louco por não poder sentir, porque eu senti sozinho, pareço não poder ter sentido em tão pouco tempo.
Que tempo é esse quando o amor se aparenta ser tão forte e sábio que todas as regras mudam? Quem quer pensar alto quando se está voando mais alto por um amor? Quem quer um socorro melhor do que o socorro que chega do outro? Agora nada, você nada, tudo e muito nada. O amor parece ter sumido dos papéis, ter virado apenas só mais um amor diante todos os outros que já nasceram e morreram. O amor da vida em uma semana. O medo de tentar ser, mas ser o único e todo e tanto amor em tão pouco tempo.
O que você fez com ele para eu tentar fazer igual? Eu quero entrar na fila que aparece na tua porta para tentar entender. Eu quero está nessa linha que chega a ti para tentar entender. Eu quero ser o mais louco de todos os loucos tentando entender para depois poder rir. Eu quero lutar pra entender e não me trancar nessa prisão pálida de não saber quem somos mais. Eu quero me buscar para saber quem eu sou e que, o que eu vou ser, não vai mais deixar de ser eu nunca mais. Eu quero cair entendendo.
Porque eu decidi que quando esse texto acabar, eu vou te esquecer. Eu vou te tirar de mim e não vou mais ter os olhos fundos e os ossos doloridos de não conseguir ficar parado. Teu nome não vai mais soar minhas mãos e a tua presença vai ser descartável. Eu vou voltar a sorrir e o meu sorriso vai torcer por mim. Não vai ter mais o que fazer, não vai ter o que dizer e o que sentir. A ferida vai fechar e a hemorragia estancar. O medo vai sair pela força, pelo som da minha voz e vai fugir. E quando a música tocar, a minha ironia vai cantar com exagero. Eu não vou mais sofrer porque sofrer vai ser menos do que isso que eu vou sentir agora. Vou ficar rouco, enjoado de ti. Não vou mais aceitar nenhuma possibilidade de amor porque amor é o tamanho do buraco que eu me tornei. Vou começar a me querer e não entrar mais em conflito com a minha mente, porque a minha mente só pensa que sabe muito bem falar demais. Meu imenso corpo vai se completar denso nesse imenso copo de vida dura. Os meus passos não irão negar que querem sentir o macio que é existir, pisar no chão seco, deslizar pelo mundo. As metáforas do que é um drama e uma dor, vai soar em tentativas. Eu não vou brigar mais comigo porque nada mais tem o tamanho do que eu quero dizer, e sim apenas sentir. Não vai haver ódio e nem saudade porque o que eu vou sentir não vai ter nome. Não vai ter nome porque isso vai chegar antes de eu saber o que é, e eu não vou me importar de saber porque eu vou gostar. Você vai embora de mim antes de um verbo qualquer. Vai ficar no passado pra depois não ser alguma coisa. Não vai mais se transformar porque eu vou te esgotejar-se pra fora, acabar-te gota à gota. Vai sair vascular, pelas veias que me batem, e a minha carne de ser o que eu sou vai ser tornar um materialismo cheio de graça. E dentro desse buraco torto que eu levei tão a sério, dentro dele vai ter outro buraco só que de gente grande, que não vai ver nada além de uma indigência que não me cabe mais na cabeça o prazer que é de te levar.
Você deita a sua cabeça sobre minhas pernas para descansar o pensamento num gesto antigo. Te vejo depositar sobre mim, apesar do momento garoto, algum tipo de possibilidade abafada. Teu corpo é mais quente que o sol mas não me mata, e eu me descontrolo extasiado, carente de ti. Tuas mãos alisam as minhas e eu penso que você poderia me alcançar do outro lado do quarto sem violar o espaço que é dado. Seu olhar é reto, direto, longo, brincam comigo. A sua sobrancelha parece saber tudo sobre o mundo e sobre mim. Tuas costas brancas e lisas traz o horizonte mais pra perto e isso é uma graça para os meus olhos. Os teus beijos me miram e eu sinto uma linha pequena infinita de arrepios que vem do calcanhar até o osso da bacia. Você é como um rascunho de um desenho vivo feito pra mim. E eu riu, porque talvez isso não exista. Teu abraço é descabido e tem mistérios que eu gosto de desvendar. Você é tão pequeno, mas me leva as alturas. Tenho vontade de te esconder entre a esquina do meu nariz e dos meus olhos só pra te conferir e não ter aquele medo errado de gente qualquer. Seu lábio inferior desaparece quando me provoca, e é tão gostoso que não chega a ser ironia. Você me explode sereno sem um pingo de dor. Você se dispara dentro de mim como um regador assassino com milhões de gotas d'água, e causa arco-íris pixelado em minha mente. Eu contemplo essa tua esperança esperta que me deixa propositalmente distraído, longe de uma angústia burocrática. Meu estômago não para, e meu coração quer te colocar na vaga mais bonita e espaçosa. Você me faz perder as horas sem querer fazer isso e causa elevadores dentro de mim porque eu te escolhi para estar em alguns trechos de livros, músicas, gostos para poesias e conversas inteligentes. E eu gosto disso. E eu gosto de você por causa disso e porque com você eu não fico de ponta-cabeça e não me perco nas minuciosidades do momento exato de intensidade, de partes indecifráveis e lentas em que o coração entra em segundos de prolapso enchendo a boca do peito soberano pela razão a libido do tentar por amor, por querer.
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