Por um instante pensei em suícidio, mas já não era mais provável que alguém viesse à chorar. A cama tá vazia e eu queria alguma coisa que me representasse agora! Só rolar na cama já não me adiantaria de nada. A vida me queria mais pra dentro dela. Tentei ser aquilo que talvez não tenha forma mais que de um certo modo, apesar de todo o arranque, chegasse a durar. Pensei em ser um arrisco qualquer que não só se propaga no ar e que se apega com ele. Eu queria ser aquilo de mais tênue, perverso, úmido, uma carne suada preservada em uma outra pele que não chegasse a ser a minha. Tentei pesquisar em detalhes - porque é nelas onde o vento mais se preserva - alguma coisa que tivesse cheiro, um sonho que por escolha ou fatalidade, me fizesse ser um conjunto de eu(s). Briguei com a vida, com o cerébro e com o mundo. Fiz de mim lucidez e raiva, e as minhas pálpebras que já não aguentavam mais se quebraram formando uma arte explícita, um choro, uns soluços e alguns escândalos. Lutei, busquei, fiz loucas invenções noturnas quadradas e inquadradas. Tudo parecia ser muito mais do que eu pensava. E era! Era um descuido, um sopro que parecia contrário, um tempo que parecia não ser meu. Era charco, arame, dor. Sem glamour, fundo de poço generalizado. Uma casca seca que refletia nada do que eu era antes, mas do que parecia ser o que eu sempre fui. E poder pensar na morte - pensei atordoado de tanto pensar -, já era morrer um pouquinho. Só que eu não sabia que esse pouquinho de dor e de morte que se representava em minha cabeça e que me consumia por dentro era apenas a figura d'eu mesmo. E eu já estava pra lá de Bágda!