Nem ontem, nem amanhã, parece que você veio e só existe o agora. Corro entre os ciprestes e acho que você me salva, caio dentro de um poço e acho que você tem uma escada. Tento me convencer que agora a sua imagem reflete ao meu espelho, perfurando o meu olho quase cego e quase tonto. Sinto uma vontade de ficar solto no espaço para ter um dia a tua mão, que talvez vá emergir no meu corpo fundo, me salvando dos escombros escuros e dessa caixa horrível que é o meu pensamento. Vou guardar o teu cheiro quase morango e ter vontade de te morder pra sempre. Vou sentir o teu suspiro perto daquele mar, onde aquelas gotas que caem em nossos pés se faz um futuro, um presente e uma ação contínua. Vou sentir o cheiro da maresia batendo em minha testa, uma maresia tão forte e tão cheirosa que deve ser igual ao teu hálito biônico, puro. Quando você vier, de verdade, vou analisar bem o nosso amor e tirar todo o mofo do meu corpo sedento, cansado e gritante. A minha boca feroz irá acordar e o frescor da madrugada vai embalar muito bem meu-eu dentro dos lençóis. Vou sonhar com as caravelas tão brancas que não vai ter tempo de chorar, pois você me salvou da loucura que é de ficar sozinho nessas malditas carreiras em que o mar vai e volta tão rápido e tão forte. Vou te fazer gostar de mim assim, com todas essas vírgulas que existe dentro e fora de mim. Vou colocar uma camada de fina linha e gigantesca para nunca acabar a nossa maratona de vida. Eu nunca vou parar de pensar que talvez você seja meu, um dia, martelando e enchendo o meu peito infinitamente, gritantemente e sem espaço pra mais nada. Porque eu quero e desde sempre eu penso e não consigo parar de pensar que isso pode ser marcantemente amor, gritantemente amor ,e infinitamente nós.