Eu quero poder esfoliar minha pele encravada na sua até que continue bem molhada. Eu quero que você suporte a banalidade do meu ser e a minha ansiedade às vezes tão solitária, arrogante e multiplicada. Eu quero envoltar sobre o seu pescoço alongado e perseguir todo o seu queixo altivo. Dentro de mim sinto a sua beleza enlouquecedora dando espasmos de ataque. E cada centímetro de mim quer ter uma boca para degustar cada centímetro do teu corpo, sob uma saliva tão aguçada e exaurida. Você parece que constrange a humanidade só em respirar. Você enche o seu peitoral largo e desenhado e a lua implora para vê-lo novamente. O céu parece que embrulha a tua existência e o sol parece que te ilumina em todo ar livre. E em cada vez em que os seus olhos piscam parece que os minutos se passam mais bem vestidos, os dias se passam a ser amendoados e até um pouco mais assustador. Um susto onde você paga até os impostos ao diabo e clama a Deus pra nunca mais passar. Um susto tão grande e tão absurdo, que te arranca a tala e endurece os dedos. Uma ereção de dedos que quer tanto te tocar e que se formam até em letras, desejos e insanidade de poder usufruir de você e poder dormir mais tranqüilo, sonhando sempre com a sua cara tão séria que de tão séria se torna tão bonita, e acordando com ânsias em lugares que eu nunca pensei em ter, e cavando o meu coração para fabricar semêns de amor.
Você tem uma beleza excendente que não cabe e não existe nas outras pessoas. Basta a sua cabeleira para pousar passáros. Esses seus sinais espalhados na luz da sua própria pele me dá uma vontade de te tocar com os meus dedos. A sua sobrancelha reta enobrece todo o seu rosto, como alguma coisa que me avassala sensível, deixando a minha alma estreita e profunda. A sua natureza se revelou ao mundo, habitando, inclinando-se, caindo entre esses meus olhos entrefechados, quase cansados, criando um próprio subúrbio, uma emoção de um sentimento que desencadeou um momento de paixão, de ternura, de querer. A sua cara é expressiva demais e me deixa sem pensar. E eu já não pensando, não provarei para ninguém e sim só para si, o quanto eu estou louco para te ver pousar em mim, e fincar o que eu achava que jamais estaria tão vivo: o meu coração.
Nem ontem, nem amanhã, parece que você veio e só existe o agora. Corro entre os ciprestes e acho que você me salva, caio dentro de um poço e acho que você tem uma escada. Tento me convencer que agora a sua imagem reflete ao meu espelho, perfurando o meu olho quase cego e quase tonto. Sinto uma vontade de ficar solto no espaço para ter um dia a tua mão, que talvez vá emergir no meu corpo fundo, me salvando dos escombros escuros e dessa caixa horrível que é o meu pensamento. Vou guardar o teu cheiro quase morango e ter vontade de te morder pra sempre. Vou sentir o teu suspiro perto daquele mar, onde aquelas gotas que caem em nossos pés se faz um futuro, um presente e uma ação contínua. Vou sentir o cheiro da maresia batendo em minha testa, uma maresia tão forte e tão cheirosa que deve ser igual ao teu hálito biônico, puro. Quando você vier, de verdade, vou analisar bem o nosso amor e tirar todo o mofo do meu corpo sedento, cansado e gritante. A minha boca feroz irá acordar e o frescor da madrugada vai embalar muito bem meu-eu dentro dos lençóis. Vou sonhar com as caravelas tão brancas que não vai ter tempo de chorar, pois você me salvou da loucura que é de ficar sozinho nessas malditas carreiras em que o mar vai e volta tão rápido e tão forte. Vou te fazer gostar de mim assim, com todas essas vírgulas que existe dentro e fora de mim. Vou colocar uma camada de fina linha e gigantesca para nunca acabar a nossa maratona de vida. Eu nunca vou parar de pensar que talvez você seja meu, um dia, martelando e enchendo o meu peito infinitamente, gritantemente e sem espaço pra mais nada. Porque eu quero e desde sempre eu penso e não consigo parar de pensar que isso pode ser marcantemente amor, gritantemente amor ,e infinitamente nós.
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